terça-feira, 29 de março de 2011

A cozinha e o cubo mágico

Chego na cozinha. Tudo está uma bagunça. Copos, talheres e panelas sujos, o lixo transbordando, resto de comida nos pratos, fogão ensopado de gordura, guardanapos, cascas de frutas, garrafa de água vazia...Olho desolada para o cenário e me desanimo com aquilo.

Sobre minha escrivaninha, um cubo mágico. Ontem me detive por horas tentando resolvê-lo colocando-o em ordem, mas não consegui. Curiosa, busquei na internet a solução e, no site de buscas, vários resultados com complexas respostas. Da lógica que ali ensinava, eu já havia me dado conta, mas não consegui realizar. A parte mais complicada, no entanto, o como fazer, tinha uma complexa explicação. Tão complexa quanto o cubo. Miro o cubo, até atrevo a pegá-lo, mas sinto um certo enjôo e volto à cozinha.

Sobre a pia, a esponja e o detergente. Água na torneira. Tarefa trabalhosa, porém, não difícil. Sei o que preciso fazer para deixar a cozinha em ordem e sei que preciso apenas começar para resolver tudo.

Já o cubo está lá sobre a escrivaninha. Mover as peças aleatoriamente não adianta. Não adianta também saber que devo seguir as faces das arestas. Não adianta porque não consigo mover as arestas sem tirar de ordem o que já havia colocado. Não, eu não entendi completamente o mecanismo. Eu não sei como fazer. Eu sei o resultado esperado e o desejo. Eu entendo as regras. Eu sei o que devo fazer, mas não consigo realizar.

Acho que muitas coisas em nossa vida são como o cubo mágico. Estão lá, a espera de uma solução; atraem o nosso desejo e guardam em si muito de nossa realização, mas não sabemos como fazer.

A cozinha... Sim, fácil de ordenar, mas não me interesso pela cozinha.

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