A Moça traz na mão
Uma rosa vermelha de plástico
Que não sua, não morre
E por isso mesmo não vive.
Está ali, com a palidez cada vez mais pálida
E com o vermelho a desbotar.
A moça tem na mão uma rosa vermelha
A rosa vermelha, tão pequena e feia
Com a feiúra de não ser colhida num jardim
Não foi tocada por abelhas e beija-flores
E nem mesmo insetos atraiu
Ela que não pode sequer ter a pétala guardada entre as páginas de um livro.
A moça se cansa de olhar para a pequena rosa vermelha
A rosa vermelha que não é uma rosa
É vermelha
É plástico pintado
É a eternidade mortífera daquilo que nunca nasceu.
É plástico que não deteriora
É vermelho que vai embora.
A moça se indigna com a rosa vermelha
Pois não a entende sendo vermelha
E não a ama sendo rosa.
Essa rosa vermelha, tão pequena e feia
Pobre rosa!
Não tem aroma
E nem precisa ser regada.
Pode, para sempre,
Estar no fundo daquele armário
Escondendo sua feiúra
Que jamais murchará.
Ainda que sem cor
Sem vida
E sem beleza
Jamais perecerá.
Rosa vermelha que é um não presente
De alguém que nunca se revelou.
O medo da morte nos impede de viver, por fugir de um possível não também negamos a possibilidade de um sim. O não ser da rosa de plástico que não é vermelha e nem rosa. Que não tem pétalas, que não tem memória representa magnificamente o medo de viver, o desejo de tornar tudo eterno e por isso mesmo não apreciar cada instante. Um presente dado por algué que nunca se revelou não tem em si nenhuma emoção, não tem um alguém que cause lembrança. É um lindo lamento ao medo humano pelo que é efêmero e uma excelente crítica a busca da imortalidade.
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