sexta-feira, 8 de abril de 2011

os caminhos da deusa

Desde que a deusa me pegou pelas mãos, tudo mudou.

Ela me apresentou três caminhos: um, o caminho dos comuns; outro, o caminho dos cegos e o terceiro, o daqueles que queriam ver... Um deles era interdito, não deveria ser seguido, era o que dizia a deusa.

E a deusa me levou... em sua carruagem encantada, embarquei nessa viagem alucinadamente racional, rumo ao mais longínquo dos mundos, rumo ao mais íntimo dos mundos.

Na sua carruagem, visitei diversos mundos, onde encontrei Ensaios, Discursos, Meditações, Críticas, Analíticas, Apologias, Ideias, Fragmentos, Pensamentos, Confissões e Tratados.

Vi Deus se fazer e desfazer, senti a liberdade e a vi indo embora, me perdi entre a moral e a utilidade. Na busca inesgotável por esclarecimento, encontrei poetas e mesmo os expulsei das cidades, vi justos morrerem, fundei minha verdade em triângulos e teoremas, descobri a força do inconsciente e percebi que todas as coisas possuem vontade. Amei e odiei o conhecimento e tentei em vão compreender a vastidão que se condensa na palavra 'ser'. Amei a arte como algo que apenas se sente, situei o ser na história e acreditei firmemente na progressão das consciências. Vi o homem saindo do estado de natureza, perdendo assim sua pureza. Observei os cientistas querendo imprimir sentido ao caos, mas sem perceber que o verdadeiro caos está aqui dentro. Desacreditei nos meus sentidos mais primários e percebi que o que causa felicidade é a carência, o sofrimento. Entendi de que maneiras os anjos existem, que a mediania é o lugar dos justos e quase desisti quando percebi que o mundo que sinto com todo meu corpo pode não existir.

Nessa viagem quase entorpecida pela sophia, rumo a um télos tão ambicioso, na busca de desvendar o dasein através do Aufklärung, coloquei-me em epoché.

E minha vida nunca mais foi a mesma. As mãos da deusa conduziram-me a mim própria e hoje tento Conhecer-me a mim mesma...

Quanto aos caminhos... não, a deusa ainda não me contou qual era o interdito.

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